Brasil retrocede ao tempo das prisões políticas para fazer bonito para Obama.
Em seu discurso durante visita ao Rio de Janeiro, Barack Obama elogiou o país por ter se tornado uma democracia e ter deixado para trás os tempos da ditadura. Mas naquele exato momento, e por conta de sua visita, estávamos regredindo a práticas típicas dos tempos de ditadura. Treze manifestantes foram presos durante protestos contra a vinda de Obama no Rio, após a explosão de um coquetel molotov. Até onde se sabe, não há prova alguma de que qualquer um deles tenha envolvimento com o artefato explosivo. Foram presos apenas porque estavam lá, protestando, quando a explosão aconteceu.
Acusados sem prova alguma dos crimes de lesão corporal e incêndio (segundo as fontes às quais tive acesso), os 13 brasileiros — incluindo um rapaz de 16 anos e uma conhecida vovó de 70 anos torcedora do Fluminense — foram enviados para presídios fluminenses e tiveram suas cabeças raspadas.
Raspar a cabeça dos presos é uma forma de agredir-lhes a identidade e a individualidade, tornando-os mais sensíveis à tortura e ao terror psicológico. É um expediente comum nos presídios políticos de Abu Ghraib e Guantanamo, onde os EUA torturavam e torturam seus presos políticos (de forma semelhante à que fazíamos durante a nossa Ditadura, que também se deveu em parte a uma tentativa de agradar os EUA). Não podemos deixar baratos estes dias em que o Brasil macaqueou o Estado Terrorista Norte-Americano e relembrou o próprio passado ditatorial.
Em tempo, vale lembrar que nosso governo até hoje não teve a coragem de abrir os arquivos de nossa Ditadura (aquela que se deveu em grande parte aos interesses dos mesmos EUA, lembra?). Somando isso aos últimos acontecimentos, a imagem está ficando cada dia mais feia.
Todo mundo fala de Democracia, como se fosse fácil e óbvio. Mas a Democracia é difícil — demanda disposição absoluta para o diálogo e para a aceitação da diversidade de opiniões. Demanda paciência e, sobretudo, justiça. Democracia demanda abdicar do controle autocrático de um país em nome da vontade de todos. Não é possível uma Democracia conviver com qualquer tipo de autoritarismo. Não é possível a uma Democracia sobreviver ao destempero de um Estado policializado que até hoje mantém manias dos anos de chumbo. Uma Democracia não sobrevive a prisões políticas e cerceamento da liberdade de expressão e manifestação. Se o Brasil um dia tivesse sido uma Democracia, ela estaria moribunda depois do que aconteceu durante esta visita de Obama.
Esta entrada foi publicada em março 21, 2011 às 7:16 pm e está arquivada como Brasil, Nosso Mundo com as tags autoritarismo, Barack Obama, Democracia, ditadura, EUA, política, prisões, Rio de Janeiro. Você pode acompanhar qualquer resposta para esta entrada através do feed RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta, ou trackback do seu próprio site.
março 21, 2011 às 11:53 pm
Troquemos Nostradamus por George Orwell. Quem são os porcos agora ?
março 22, 2011 às 6:50 pm
É…
E estão cada dia mais gordos e vorazes.
março 22, 2011 às 6:51 pm
Soube que até alguns dos mais ferrenhos defensores do regime já estão decepcionados.
abril 4, 2011 às 8:42 pm
Manifestantes de ontem. Opressores de hoje.
Vale o que me interessa, e não o que pede minha humanidade…