Arquivo de global voices online

De volta ao Global Voices em Português

Posted in Global Voices, Vida Digital with tags , , , , , , , on janeiro 31, 2011 by Daniel Duende

Depois de aventuras e desventuras, algumas inenarráveis sob risco de arranjar mais inimigos do que gostaria, estou finalmente de volta ao velho lar — a equipe colaborativa de voluntários de tradução do observatório de blogosferas Global Voices em Português.

Ainda não deu para traduzir muita coisa. Hoje só consegui traduzir uma matéria porque fiquei ocupado organizando e tomando conta da página de cobertura especial dos Protestos no Egito, que precisava de um pouco de amor.

E por falar e amor, fiquei emocionado com a quantidade (e qualidade) das boas vindas que recebi de velhos amigos e colegas de equipe de todo o mundo nas listas internas de discussão do GV. Vocês são ótimos! Estava morrendo de saudades de trampar lado a lado com vocês! Valeu mesmo pelas boas vindas!

O que é Bridge Blogging?

Posted in Nosso Mundo, Vida Digital with tags , , , , , , on junho 25, 2010 by Daniel Duende

Texto que escrevi originalmente para o meta-livro Para Entender a Internet (que misteriosamente não está mais online, mas dá para baixar aqui), resgatado por Magno Valdetaro do Design Kamikaze, e que agora republico aqui (sem mudar uma sílaba sequer, com todos os seus erros e acertos) para que nunca mais saia de perto de mim… =)

Bridge-Blogging

Bridge-Blogging, ou Blogagem-Ponte, é o nome dado à atividade de blogar de modo a criar uma ponte entre dois grupos ou espaços distintos, geralmente pinçando conteúdos produzidos pelo primeiro grupo e agregando a eles material que permita a sua compreensão aos leitores pertencentes ao segundo grupo. A delimitação destes grupos ou espaços pode ser de natureza regional, social, cultural, linguística ou técnica, no caso de comunidades técnicas específicas, e frequentemente mais de uma destas diferenças existe entre os dois grupos entre os quais se realiza esta ponte.

O alcance virtualmente ilimitado que nos é dado pela Internet nos dá a impressão de que da sala de nossa casa ou de uma cabine de LAN-house podemos ter acesso a todos os conteúdos produzidos em todo o mundo e que estejam disponíveis na rede. Salvo bloqueios causados por censura governamental ou organizacional aos conteúdos disponíveis na rede, como é o caso da Great Firewall of China ou da proibição do acesso ao Orkut em muitas empresas, não estamos enganados ao pensar que todos os conteúdos nos são virtualmente acessíveis. Por outro lado, uma grande quantidade destes conteúdos pode estar sendo gerado em línguas que não falamos, ou por pessoas que assumem que seu público terá conhecimentos, paradigmas culturais e noções de contexto que nos podem ser alienígenas. Isto se torna particularmente verdade quando falamos das blogosferas globais.

Uma das principais características dos blogues é a linguagem direta e espontânea, sem preocupações formais e de contextualização, com que são escritos. Desta forma, quando eu, brasileiro razoavelmente informado, de classe média e com o domínio de no máximo dois idiomas além da língua pátria, tento acessar os blogues de Bangladesh, me deparo com uma série de problemas. Antes de mais nada, não falo bengali, uma das línguas mais frequentemente usadas na região. Posso, contudo, encontrar por lá alguns blogues que sejam escritos em inglês, uma língua que, até prova em contrário, domino razoavelmente. Mas mesmo vencendo a barreira da língua, nada me garante que eu conseguirei entender os fatores culturais e contextais nos quais o blogueiro está envolvido ao escrever sua blogada. O resultado é que, mesmo que eu entenda do que diabos meu colega bangladeshi está falando, certamente perderei boa parte da mensagem por não saber a quê ele se refere quando cita algo de conhecimento corrente para um leitor de seu país, ou quando faz um link para algum outro endereço que esteja escrito em bengali.

Uma situação semelhante, embora de outra ordem, pode ocorrer quando eu tento participar de uma rede de blogues de astrônomos em meu país. Posso, a princípio, pertencer ao mesmo contexto linguístico e cultural dos blogueiros, mas estou longe de dominar os mesmos conhecimentos que eles, e certamente não entenderei patavinas do jargão que usam para se comunicar entre si. Em tempo, patavinas quer dizer “coisa nenhuma” nas gírias usadas por meu pai, que acabei absorvendo.

Para permitir que os leitores globais consigam atravessar estes abismos existentes na rede, existe o trabalho do bridge-blogger. Este abnegado blogueiro, que porventura domina os conhecimentos linguísticos, culturais, técnicos e contextuais relativos aos dois grupos, irá pinçar conteúdos dos blogues de um grupo e citá-los, quando necessário traduzindo-os para a linguagem do segundo grupo, em sua blogada. Irá então incluir nesta mesma blogada todas as contextualizações e esclarecimentos necessários para que, usando o exemplo do parágrafo anterior, eu, um blogueiro brasileiro, possa entender as blogadas de meus colegas bangladeshis sobre a última onda de atentados e tensões fronteiriças com a Índia que assola seu país.

Um bom exemplo, entre tantos exemplos notáveis, desta atividade de bridge-blogging é o trabalho realizado pelo observatório de blogosferas Global Voices Online (http://www.globalvoicesonline.org). O Global Voices, que se propõe a observar e amplificar as vozes das blogosferas globais, conta com uma equipe de mais de 150 autores localizados nas mais diversas regiões do mundo, versados cada um em seus idiomas e conhecedores cada um de suas realidades regionais e culturais. Estes autores realizam então um trabalho de compilar as conversas correntes em suas blogosferas regionais ou linguísticas, produzindo artigos para o observatório Global Voices Online, nos quais citam as referidas blogadas, traduzem o conteúdo das citações, e contextualizam o leitor desconhecedor daquela realidade a respeito dos assuntos e situações abordados.

Estes conteúdos, compilados no observatório em língua inglesa, são então retraduzidos pela grande equipe do projeto paralelo Global Voices Lingua para mais de 16 línguas distintas, completando este intercâmbio de vozes e informações entre as mais diversas regiões e culturas. Desta forma, um leitor de língua portuguesa pode, ao acompanhar o site Global Voices em Português, atualizar-se sobre os recentes conflitos em Madagascar pelo ponto de vista dos próprios blogueiros daquele país, que relataram em seus bloges aquilo que estão vivendo em sua língua natal malgaxe. Isto se torna possível graças ao trabalho de bridge-blogging realizado pelas equipes Global Voices Online.

Bridge-Blogging foi escrito por Daniel Duende / @danielduende parte integrante do “beta-livro”: Para entender a internet -  Noções, práticas e desafios da comunicação em rede.

“Como esconder um pedófilo de batina?”

Posted in Nosso Mundo with tags , , , , , , , , on março 22, 2010 by Daniel Duende

Acabei de perceber que algumas pessoas vieram parar neste blog (via gúgou) em busca do “Crimen Solicitaciones”, um documento da igreja datado de 1962 que orienta as paróquias a lidarem com os casos de “crime de solicitação” — um eufemismo para violência sexual — praticado por padres. O documento foi aparentemente redigido por um tal Joseph Ratzinger (curiosamente, este também era o nome usado pelo Papa Bento XVI antes de se tornar o atual lider da Igreja), e orienta os procedimentos de transferência do padre para outra paróquia, contatos intimidadores com a família da vítima (que pode ser até ameaçada de excomunhão caso leve o caso à justiça) e arranjos a serem feitos junto às autoridades. O documento termina com os modelos de rito de admissão de culpa (do padre), caso todas as outras artimanhas falhem.

Baixe aqui o Crimen Solicitaciones em inglês, copiado de um fax que circulava internamente pelas Igrejas da cidade de Boston, nos EUA. Nos últimos 20 anos, foram registrados mais de 10.000 casos de violência sexual de padres e outros oficiais da Igreja contra crianças nos Estados Unidos.

O que dizer de uma instituição religiosa que acoberta estupradores de mulheres e crianças fiéis à sua crença, e ainda os provê novos contatos privilegiados com potenciais vítimas APÓS constatar os crimes, em vez de entregá-los à justiça?

Para saber mais sobre violência sexual na Igreja, leia este velho roundup que escrevi pro Global Voices.

Eu deliberadamente resolvi não comentar as últimas notícias sobre violência sexual por parte de padres, que agora aparecem timidamente na mídia. Isso não devia mais ser tratado como novidade, e fazê-lo apenas nos dá a falsa impressão de que estes terríveis crimes acobertados pela Igreja são algo novo ou isolado. Não são! Acontecem todo dia, em todo lugar, e a Igreja só não é punida por seu acobertamento histórico destes crimes porque os estados laicos ocidentais não tem coragem de enfiar a mão neste vespeiro, limitando-se a punir um ou outro padre cuja notoriedade vai além do alcance do manto protetor da Igreja. Se vivemos em um país onde dificilmente um político é punido por seus crimes, imagine então o poder de impunibilização da mais antiga instituição política ainda em atividade no Ocidente: a Igreja. Eles podem tudo há mais de 1500 anos, e são responsáveis por cometer e acobertar tantos crimes que não seria possível lembrá-los a todos nem que pudéssemos. A justiça divina deve estar tendo um trabalhão lá do outro lado…

O hype da morte do hype

Posted in Vida Digital with tags , , , , , on fevereiro 2, 2010 by Daniel Duende

Acho que todo post falando sobre a “morte” deste ou daquele suporte de conversações sobre um sério risco de derrapar para dentro do pântano da presunção egocêntrica. Mas tem coisas que vale a pena dizer.

Estava conversando no outro dia com a Pata Nardelli sobre a “morte dos blogs” frente ao surgimento dos microblogs. Assunto velho, eu sei. Nem está mais na moda falar disso. Mas não é disso mesmo que eu quero falar. É do hype de anunciar a morte de serviços quando surge alguma outra coisa mais “cool”.

Em 2003, o fotolog.net (hoje fotolog.com.br) bombava de brasileiros descobrindo como era bacana fazer caras e bocas para a câmera e depois partilhar a foto com os amiguinhos. Foi na época uma das grandes ondas da entrada brazuca na rede, de mãos dadas com o Orkut que surgiria pouco depois. Algum tempo depois, havia gente anunciando a morte do fotolog.net. Mas ele não morreu. Simplesmente começou a ser usado só por quem realmente curtia aquilo. O que morreu foi o hype, e não era mais tão “cool” ser fotologger.  Os hype-pilgrims deixaram o flog pra trás e foram atrás do próximo hype, e foi só.

A mesma coisa pode ser dita sobre os blogs, e em breve poderá ser dita sobre o Twitter e sobre quaisquer serviços que forem “agraciados” com o hype no futuro. Um dia o hype acaba, os “moderninhos” que começaram a usar o serviço só porque era moda acabam cansando e indo embora em busca de outra coisa “cool” pra usar, e o suporte começa, enfim, e descobrir seu verdadeiro lugar no espaço digital.

Quem falou da morte dos blogs pode até não ter percebido que estava falando uma grande asneira. Mas se quiser colocar a mão na consciência, pode dar uma olhada no Global Voices Online (ou no Global Voices em Português) e descobrir algumas coisas para os quais os blogs realmente servem, sem hype nem afetação.

E quanto a morte dos blogs frente aos microblogs. Bem… Quem tem algo a dizer não pode viver só de 140 caracteres, né? Creio que, no máximo, a blogosfera se viu livre de um monte de gente que poderia, no mínimo, falar em menos caracteres o que tinha a dizer. Bom para todos.

Os blogs irão existir enquanto forem úteis para quem escreve e para quem lê. Podem mudar, como tudo muda, como os microblogs também já estão mudando, mas por sorte, apesar dos passos para trás, cedo ou tarde a gente caminha para frente e leva consigo aquilo que nos serve para alguma coisa. E os blogs, meu amigo, são uma das coisas mais úteis que surgiram na internet.

O que morre é o hype.

E é por isso que eu ignoro solenemente qualquer serviço que seja muito festejado.  Só o tempo dirá se servirá para alguma coisa, ou se vai cair no esquecimento. Quem se lembra hoje do Friendster? Eu só me lembro que era quase tão chato quanto o Orkut, mas não tinha um Google por trás para convencer todo mundo de que era bacana estar lá. :)

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.