Mais índios ameaçados pelo “progresso” no Paraguay

Em meio à correria de trabalho, captei este texto nos grupos de discussão do Global Voices Online. A informação é de que em breve haverá um especial sobre o assunto no observatório. Fiquem ligados.

Por hora reproduzo o texto que fala de grupos indígenas vulneráveis ameaçados por uma empresa pecuária brasileira no Paraguay. Para variar, a ação dos governos e entidades de defesa dos direitos e das terras indígenas está sendo insuficiente. Este é um apelo pela vida, dignidade e integridade de mais um grupo indígena ameaçado pela idéia patética de Progresso que assola as mentes idiotas e colonizadas de latinoamericanos embasbacados. Essa coisa de  “progresso” e lucro a qualquer custo, em detrimento da vida e da natureza, tem cheiro de década de 50 norte-americana, e bem sabemos que até eles já sabem que foi uma idéia imbecil. Os índios (mortos) dos EUA bem sabem disso, esquecidos em suas covas não marcadas.

PRESS RELEASE DA SURVIVAL INTERNATIONAL

23 de setembro de 2010

Tribo pede SOS para salvar seus familiares isolados da extinção

Gabide Etacori é um dos líderes que fizeram o apelo em
nome de seus parentes isolados. ©Survival

Os líderes de uma tribo isolada da América do Sul fizeram um apelo público desesperado em nome dos membros de sua família que se escondem na floresta, alvo de pecuaristas.

Alguns membros da tribo Ayoreo-Totobiegosode no Paraguai ocidental foram forçados a sair da floresta nas últimas décadas, mas outros permanecem escondidos – em uma área de floresta que está encolhendo a cada dia.

Permanentemente em fuga das escavadeiras que estão penetrando seu último refúgio, eles evitam qualquer contato com o mundo exterior. Várias de suas casas abandonadas foram encontradas nos últimos anos.

Uma grande empresa brasileira de criação de gado, Yaguareté Porã, comprou parte da área. Tendo já destruído cerca de 3.000 hectares, suas escavadeiras foram paralisadas em maio pelas autoridades paraguaias, que acusaram a empresa de não divulgar que índios vulneráveis viviam isolados na área.

Porai Picanerai uniu-se ao apelo. ©Survival

Agora, depois da pressão feroz exercida pelos fazendeiros para poder operar novamente na área, dois líderes Ayoreo emitiram um apelo público urgente. Gabide Etacori e Porai Picanerai disseram: ‘Estamos muito preocupados porque Yaguareté Porã não quer negociar conosco ou com o governo paraguaio para nos dar … a terra que é o lugar mais importante para o nosso povo’.

‘Pedimos-lhes que … nos ajudem a garantir que a terra seja protegida para que as escavadeiras não entrem e que licenças não sejam emitidas para que eles destruam a nossa floresta.’

Os Ayoreo estão tentando ganhar o título de suas terras ancestrais desde 1993.

Survival International tem escrito para INDI, o Instituto Indígena Paraguaio, exigindo que ele aja imediatamente para evitar mais destruição. Ela também lançou uma campanha publicitária internacional para destacar a situação grave enfrentada pelos Ayoreo, um dos últimos povos indígenas isolados da América do Sul. O anúncio mostra a terra nua que foi desmatada para dar lugar à criação de gado.

O diretor da Survival, Stephen Corry, disse hoje, ‘Yaguareté tem persistentemente ignorado os pedidos dos Ayoreo para ficar fora de sua terra ancestral. Está na hora que o governo do Paraguai cumpra com o seu dever de proteger seus cidadãos mais vulneráveis, que querem desesperadamente ser deixados em paz. A tribo já esperou 17 anos pela terra que é sua por direito – é possível que logo não haverá nenhuma terra para defender’.

Leia sobre esta historia na página Survival na internet (em espanhol): http://www.survival.es/noticias/6508

Para mais informações e imagens, por favor entre em contato com Miriam Ross (em inglês e português) no telefone (+44) (0)20 7687 8734 ou (+44) (0)7504 543 367 ou por email
mr@survivalinternational.org

Survival International
6 Charterhouse Buildings
London EC1M 7ET
United Kingdom


Uma resposta to “Mais índios ameaçados pelo “progresso” no Paraguay”

  1. Nós, que estamos mais ou menos livres dos horrores latifundiários, precisamos ao menos forçar a opinião pública contra mais barbaridades. Os Governos precisam agir, inclusive no Brasil, para que não sejamos novamente condenados pela OEA por acontecimentos como os da Fazenda Santa Elina e de Corumbiara, em Rondônia – Brasil.
    Nossos governos, se quiserem, com apoio do Legislativo e do Judiciário, podem facilmente pôr fim a essas crueldades, sem que sangue seja derramado.

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