Mural: Preconceito social e agressão na Universidade Federal de Roraima

Repassando email recebido ainda agora da Lau Franco

Neste sábado dia 13/11/10 as 15:20 sofri agressão física dos guardas da entrada da UFRR pela av: Venezuela.
Sou Estudante da universidade desde 2001 quando entrei na graduação em Ciências Sociais, fiz Especialização e estou terminando o Mestrado em Economia nessa mesma Universidade. Além disso sou funcionário da UFRR desde o começo de 2009 cedido pela prefeitura de Boa Vista. Passo nesse mesmo portão de entrada pelo menos 4 vezes por dia.
Já fui abordado diversas vezes pelos guardas em outras ocasiões. Todas as vezes sempre os CARROS ou MOTOS que estão à minha frente passam sem ser solicitado identificação, Mais quando eu vou passar, me param.
Percebí que o motivo das abordagens diárias era porque sempre entrava na UFRR numa BICICLETA VELHA ano 1982. Quando entrava de carro sempre passei despercebido.

Neste sábado, aconteceu a mesma coisa. Um motociclista passa pelos guardas 5 metros na minha Frente. ELA PASSA, e a mim pedem para parar. Decidí que não ia parar pois estavam tratando as pessoas com diferença e falei pro guarda passando de bicicleta que não ia parar, e porque ele não pediu identificação do motociclista que passou no mesmo momento que eu.
Continuei meu trajeto em direção ao NECAR/UFRR onde ia trabalhar. 30 metros depois um dos guardas pegou a motocicleta e partiu para cima de mim. Eu parei e disse que ia trabalhar. Ele me derubou da bicicleta e me agrediu covardemente com um cacetete ferindo minha boca e quebrando vários dos meus dentes, enquanto o outro guarda vinha com arma em punho apontado para mim que estava caído sendo agredido pelo outro. Não me agrediram mais, ou atiraram em mim porque as pessoas que passavam interviram ao ver o absurdo.
Fui ARRASTADO ATÉ A GUARITA SENDO AGREDIDO dessa vez por palavrões e insultos pois os mesmos diziam que eu não ia entrar e era pra aprender a respeitar cara de homem. Mais eles eram mais homens do que eu porque estavam com uma arma? Depois que chegou meus colegas do NECAR e outros professores no local da agressão, os guardas disseram que tentaram me imobilizar, que não me conheciam e que não me identifiquei. Mais veja só. Eu estava fardado com a camiseta do NECAR/UFRR bem grande estampado no meu peito e em horário de aula. O motociclista que passou de capacete e sem nenhuma identificação eles disseram que era estudante. Como eles sabem quem é e quem não é estudante nessa UFRR? Precisam me conhecer para que eu possa entrar no meu local de trabalho e na universidade que estudo a tanto tempo?
Segue em anexo as fotos que tirei para que possam ver como estava identificado com a farda do NECAR/UFRR e como fiquei ferido.
Passem para seus contatos, para que isso não volte a acontecer, numa universidade pública e em nenhum outro lugar. Para que o direito de ir e vir dos servidores  alunos e comunidade não seja cerceado nessa UNIVERSIDADE QUE É PÚBLICA.
Um abraço
valdinei fortunato portela

Em resumo, mais uma amostra de um sem número de absurdos que se tornaram comuns em nosso cotidiano — preconceito violento de classe, até mesmo entre pessoas de classes muito semelhantes; endofobia; truculência; exacerbação de um tipo daninho de virilidade quando de posse de uma arma ou de autoridade. Somos mesmo um bocado absurdos! Mas ainda mais absurdo é que, mesmo em face da cotidianeidade destas aberrações, muito pouco se faz a respeito. Em um país sério esse tipo de coisa deveria ser punida com todo o rigor da lei. Da mesma forma que deveriam ser punidos com igual rigor todos aqueles que atentam contra o próprio povo, e contra as instituições políticas do país. Sim, eu estou falando de muitos de nossos representantes públicos, mas estou falando também da enorme turba de amigos e apadrinhados que os seguem e se abundam em diversos cargos de vários níveis de nosso governo, gente que não só mama nas tetas do governo como também muito pouco faz daquilo que é esperado de seus cargos…

Ainda temos um longo caminho até nos tornarmos um país sério. O grande problema é que para cada pessoa querendo dar um passo em frente nesta direção, tem ao menos mais duas com preguiça de fazer qualquer coisa e mais uma que quer andar na direção contrária. E enquanto não há solução, é bom que ao menos não fechemos os olhos para o absurdo.

Olhe bem para o Valdinei. Ele é gente que nem eu ou você, e ele apanhou simplesmente por não aceitar uma humilhação que talvez nem eu nem você aceitaríamos. Você pode até não se importar, mas olhe. Isso está acontecendo no seu país. Será que você também tem alguma coisa a ver com isso?

Em seguida, as fotos.

Clique na imagem para ampliá-la.

Que os Deuses abençoem esta Hy-Breasil depauperada de boa imaginação.

2 Respostas to “Mural: Preconceito social e agressão na Universidade Federal de Roraima”

  1. jack e dany Says:

    sou contra qualquer tipo de preconceito!diga não a violencia e ao preconceitos

    • Todos temos nossos preconceitos. A gente até luta contra, mas infelizmente não dá para eliminá-los. No máximo a gente elimina alguns, disfarça outros, e finge que é muito legal. O problema é quando o preconceito se torna violência (seja ela moral, psicológica ou física).

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