Arquivo de dezembro, 2010

MegaNão com (inesperada) presença de Bruce Sterling e Jasmina Tesanovic no Balaio Café

Posted in Brasília, Nosso Mundo, privacidade e liberdade, Vida Digital with tags , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 16, 2010 by Daniel Duende

Só para não deixar passar em branco o evento realizado ontem no Balaio Café, que contou com as ilustres presenças do escritor/pensador cyberpunk norte-americano Bruce Sterling e sua esposa, a escritora, feminista e cineasta sérvia Jasmina Tesanovic.

Todo evento voltado à discussão da liberdade da (e na) Internet é bem vindo nestes tempos de perseguição jihádica ao Wikileaks e eterno risco de renascimento da hidra lerneana da Lei Azeredo (refortalecida por outro monstro digno da atenção de Spectreman, a Convenção de Budapeste). E foi nesta linha que seguiram as falas da maior parte dos participantes, como Caribé e Paulo Rená: o da necessidade da vigilância e combate aos riscos representados pelas novas iterações (é a 4ª vez que uso esta palavra hoje, eu sei!) do mal escrito e reescrito projeto de lei que visa criminalizar não apenas os usos comuns e razoáveis da rede feitos por milhões de brasileiros, como também atender à demanda (e mostrar trabalho em troca da grana recebida) de bancos como o Bradesco, que busca reptilicamente economizar o dinheiro que precisaria investir em uma melhor segurança para seus clientes de home-banking, jogando o ônus no governo e na sociedade (inclusive seus clientes, que salvo notáveis excessões não parecem se importar com isso).

Yasodara Córdova aproveitou os primeiros 25 segundos de sua fala para lembrar que as mulheres em geral tem um grande poder em mãos, o de público consumidor poderoso, e que deveriam lembrar-se disso em seus ativismos — inclusive no ativismo contra a Lei Azeredo e outras ameaças às pessoas digitais. Depois disso, Yasodara passou o bastão de voz que convencionamos chamar microfone para Guilherme Almeida (e a hora avançada pode me sujeitar a errar nomes!), do MJ, que fez uma apresentação sobre a Consulta Pública que está sendo realizada pelo Ministério da Justiça visando a construção de uma nova legislação de proteção aos Dados Pessoais no Brasil. Aos ativistas, fica a dica. Mais fácil (embora talvez menos divertido e festivo) do que qualquer manifestação ou flash mob é aproveitar as consultas públicas realizadas pelo governo sobre temas que são parte da agenda e das noites mal dormidas de muitos de nós. Acesse o site da Consulta Pública sobre Dados Pessoais.

Mas havia bem vindas vozes dissonantes. Ariel Foina defendeu que para além da hidra lerneana da Lei Azeredo (“é apenas mais uma batalha em uma guerra muito maior”, segundo ele), existem as ameaças à nossa privacidade e liberdade na rede que são causadas por nossos próprios hábitos, ou falta deles, como o hábito que não temos de ler os contratos digitais que assinamos (mesmo sem nos dar conta) quando começamos a utilizar um serviço. Os próprios termos de uso do Google são um bom exemplo disso. Segundo apresentado com necessária teatralidade por Ariel durante sua fala, estes termos de uso apresentam em seu parágrafo décimo-primeiro, que trata sobre a privacidade dos conteúdos de seus usuários:

O usuário compreende e concorda que o Google pode acessar, registrar e divulgar as suas informações pessoais e o conteúdo da sua conta, a fim de fornecer o Serviço ou caso solicitado por força da lei ou quando acreditemos de boa fé(1) que tal acesso, registro ou divulgação é realmente necessário para atender a um processo legal ou para proteger os direitos, a propriedade e/ou a segurança do Google, de seus afiliados ou do público geral(!?!?)

Ariel frisou, com todos os negritos acima, que é antes de mais nada absurdo que uma empresa sustente (e você assine embaixo) que terá boa fé(1) em sua decisão a respeito da divulgação do conteúdo da sua conta ou dados pessoais. “Ora, empresas não tem boa fé ou opinião. Visam lucro ou seus interesses e é absurdo que falem (e você assine e baixo) de boa fé em seus termos de uso”, bradava Ariel. Mais absurda ainda é a segunda parte, que condiciona a quebra da sua privacidade à “proteção dos direitos, propriedade e/ou segurança do Google, seus afiliados ou do público em geral(!?!?)”. Então quer dizer que o Google se reserva o direito de divulgar qualquer um dos conteúdos ou dados que você confiar a ele se ele acreditar DE BOA FÉ que estes dados ameaçam os DIREITOS (que direitos!?), SEGURANÇA ou PROPRIEDADE do PÚBLICO GERAL!? E quer dizer que não só você e eu, mas também muitos dos ativistas anti-Lei Azeredo e uma boa parte do Governo Federal (além dos Estaduais e Municipais) está assinando mesmo sem ler embaixo disso? Já paramos para pensar que por Público Geral (ou mesmo por “afiliados”) o Google pode entender o povo Norte-Americano (e seu governo), ou alguma empresa competidora da sua, e que pode então de boa fé divulgar seus dados e todos os seus emails a eles? Com ameaças como nós mesmos à nossa privacidade, quem precisa de Lei Azeredo?

Mas nem tudo são espinhos na guerra contra os inimigos da liberdade da rede, de nossa privacidade, e contra nossa própria mania de assinar contratos digitais sem pensar duas vezes nem lê-los uma vez sequer. As presenças de Bruce Sterling e Jasmina Tesanovic não apenas representaram uma excelente chance de intercâmbio entre os ativistas da liberdade na rede do Brasil e do exterior (lembrando que Sterling foi autor do memorável livro The Hacker Crackdown: Law and Disorder in the Electronic Frontier, disponível aqui, que trata dos ataques do governo Norte-Americano à subcultura hacker e à liberdade da rede no início dos anos 90), mas também uma interessande oportunidade de se ouvir alguns questionamentos que — por acreditarmos já ter uma resposta pronta, não nos dignamos a fazer. Em certo momento do debate, Bruce Sterling pediu o microfone e perguntou aos presentes (com a ajuda de minha capenga tradução quase simultânea):

“O Presidente Lula disse em certo momento que após o final de seu governo irá descansar por uns quatro meses e depois se tornará blogueiro e tuiteiro. Antes de mais nada, ele realmente quis dizer isso [did he really mean it]? Além disso, quais serviços, suportes e provedores ele pretende usar, e quais serão os temas que abordará, e quais suas intenções?”

Sterling ouviu dos presentes apenas a resposta de que a fala do presidente se prestava a reconhecer a importância da blogosfera. Eu, que estava sentado logo ao lado dele, pude ver a sua frustração. Mesmo sendo Norte-Americano e estando acostumado a ouvir mentiras e frases vazias de seus presidentes, Sterling parecia esperar mais de Lula. Bem, entre outras coisas este post é uma boa oportunidade para que outras pessoas respondam à pergunta de Sterling. Prometo repassar as respostas para Bruce, fielmente traduzidas para o inglês por este ex-coordenador do Global Voices em Português que vos escreve. Prometo também publicar aqui os comentários de Bruce sobre as respostas, caso ele faça algum.

(da esquerda para a direita) Jasmina Tesanovic, Daniel Duende, Bruce Sterling, Paulo Rená e Yasodara Córdova no MegaNão do Balaio Café, com Daniel Duende tentando fazer as vezes de tradutor quase simultâneo. Foto de @cesarcardoso

Bruce Sterling escreve o blog Beyond the Beyond na revista Wired, e Jasmina Tasanovic escreve o blog Virtual Vita Nuova, hospedado no WordPress.

 

P.S. você também acha que este post deveria ter mais fotos? Então ajude o Duende que estava morrendo de sono ao terminar de escrevê-lo às quatro e meia da manhã e dê umas dicas de boas fotos do evento disponíveis na rede.

 

UPDATE:
Em tempo, o evento também me deu a oportunidade de descobrir que o inglês com sotaque sérvio é menos incompreensível para ouvidos brasileiros do que o inglês com sotaque texano. Deu também pra verificar que mesmo o sotaque texano não é páreo para a necessidade deste que vos escreve de se construir pontes de comunicação entre as pessoas que tem algo a dizer.

 

A possível cura da AIDS, e seus (possíveis) efeitos colaterais sociais.

Posted in Nosso Mundo with tags , , , , , , , , , on dezembro 15, 2010 by Daniel Duende

Timothy Ray Brown, o Paciente de Berlim. Copyright www.peterrigaud.comEstava lendo hoje em matéria do Jornal do Brasil sobre a possibilidade de que um paciente de Leucemia soropositivo possa ter sido curado da AIDS durante o devastador tratamento ao qual foi submetido para curar-se da primeira. Segundo o jornal, Timothy Ray Brown, o ‘Paciente de Berlin’, teria obtido em testes clínicos resultados que indicariam o “zeramento” da presença do vírus em seu organismo e um aumento dos níveis de células do sistema imunológico a níveis considerados normais em um homem soronegativo de sua idade. Um dos possíveis motivos desta negativação da presença do vírus teria sido transplante de medula óssea de um doador que apresentava uma mutação que o tornava quase imune ao vírus da AIDS. Ainda segundo a matéria, esta mutação ocorreria em aproximadamente 1% da população caucasiana (leia-se “branca”) de algumas partes da Europa.  Leia a matéria para mais detalhes.

Para além das boas notícias — afinal trata-se de uma possível cura para a AIDS, mesmo que sofrida, longa e ainda bastante incerta — fiquei preocupado com algumas das implicações desta notícia. Antes de mais nada, se a cura de uma das doenças mais faladas dos últimos 30 anos, até agora incurável, passar por transplante de células tronco advindas de uma parcela bastante restrita da população branca mundial, isso abre espaço para algumas possibilidades nefastas. Primeiro de tudo, quanto tempo vai levar para alguns idiotas da supremacia branca começarem a usar isso como argumento para sua pretensa superioridade? Por outro lado, se fosse descoberta esta mutação também nas populações negróides e mongolóides (pessoas de descendência mongólica, para bom entendedor), quanto tempo seria necessário antes que começassem verdadeiras indústrias de extração de medula óssea e células troncos dos pobres indivíduos não-Europeus abençoados e amaldiçoados com a tal CCR5 delta 32 homozigosidade?

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Devo, não nego… (iteração x)

Posted in privacidade e liberdade, Vida Digital with tags , , on dezembro 15, 2010 by Daniel Duende

Devo, não nego, escrevo quando puder um post sobre o evento do Meganão ontem no Balaio Café, que teve a participação extraordinária de Jasmina Tesanovic e Bruce Sterling.

Por hora fica a minha anotação mental. “Quando necessário, até peixinhos dourados podem fazer tradução simultânea. A necessidade é a mãe da realização”. =)

MegaNão hoje no Balaio Café (201n)

Posted in privacidade e liberdade, Vida Digital with tags , , , , , on dezembro 14, 2010 by Daniel Duende

Replicando marotamente o post do blog do Meganão (que já diz tudo)

meganao_bsb-2010

O AI5 Digital resurge das cinzas e volta a tirar o sossego da sociedade conectada, mesmo com todo o debate e toda a polêmica o projeto vem movendo na Câmara dos Deputados e pode vir a ser votado.

Recentemente Julian Assange, ciberativista responsável pelo Wikileaks foi preso sob uma acusação das leis suecas, e existem evidências de fraude nas denuncias. Os recentes vazamentos publicados pelo site pelo menos 110 telegramas ao Brasil no tema Propriedade Intelectual, o que pode nos levar a uma reviravolta que poderá desnudar não só as intenções do AI5 digital (que já estão bem claras) como pode mudar o curso do ACTA.

É nesse contexto que os ciberativistas de Brasilia organizaram este Mega Não em Brasilia, no Balaio Café, nesta terça feira dia 14/12 à partir das 20h para discutir as recentes ameaças à privacidade e liberdade na rede, como os fatos novos gerados pelo Wikileaks e prestar solidariedade à Julian Assange.

Haverá uma bate papo com Ariel Foina (Pesquisador)Paulo Rená (Mestre em Direito), Yaso (Designer Independente), Daniel Carvalho (Rede)João Caribé (Ciberativista). Claro, sempre com espaço aberto para intervenções e diálogos.

E pra lembrar que a mobilização social sempre tem a ver com a cultura, vai rolar uma boa e velha festinha na sequência. Esdras e Prenass estarão no comando do som.

O Mega Não Brasília edição 2010 começa 20h ali no Balaio Café (201 norte), super parceiro nesse ativismo em defesa da cidadania na era digital!

Participe, informe-se, indigne-se e divirta-se!

Texto de Julian Assange, do Wikileaks, escrito horas antes de sua prisão

Posted in Nosso Mundo, Vida Digital with tags , , , , , , , , , on dezembro 7, 2010 by Daniel Duende

Durante toda a movimentação (e a bem vinda balbúrdia) causada pela publicação de correspondências diplomáticas norte-americanas pelo Wikileaks, mantive-me em silêncio por aqui. Nada mais disse, porque o que tinha a dizer já estava sendo dito via facebook ou via twitter. O Twitter, inclusive, que achou por bem ceder às pressões do maior estado terrorista do mundo e censurar o Wikileaks em seus trending topics (como dizem que também censurou hashtags da campanha da Dilma durante as eleições brasileiras). O Twitter que deixei para não mais voltar, e microblogo agora via Identi.ca.

Mas agora acho importante republicar o texto escrito por Julian Assange, fundador do Wikileaks, pouco antes de se entregar às autoridades na manhã desta terça-feira em Londres, depois de ser perseguido como um terrorista sob acusações falsas que apenas pretendiam encobrir seu único crime: querer revelar a todos a verdade que os nauseabundos governos do planeta querem esconder.

Este é o nosso mundo. Leiam o texto de Assange, conforme publicado por Luis Nassif em seu blogue.

Em 1958 um jovem Rupert Murdoch, então proprietário e editor do “The News” de Adelaide(Austrália), escreveu: “Na corrida entre o segredo e a verdade, parece inevitável que a verdade sempre vença.”

Sua observação talvez tenha sido um reflexo da revelação de seu pai, Keith Murdoch, sobre o sacrifício desnecessário de tropas australianas nas costas de Gallipoli, por parte de comandantes britânicos incompetentes. Os britânicos tentaram calá-lo, mas Keith Murdoch não seria silenciado e seus esforços levaram ao termino da desastrosa campanha de Gallipoli.

Quase um século depois, o Wikileaks também publica sem medo fatos que precisam ser tornados públicos.

Eu cresci numa cidade do interior do estado de Queensland, onde as pessoas falavam de maneira curta e grossa aquilo que pensavam. Eles desconfiavam do governo (‘big government’) como algo que poderia ser corrompido caso não fosse vigiados cuidadosamente. Os dias sombrios de corrupção no governo de Queensland, que antecederam a investigação Fitzgerald, são testemunhos do que acontece quando políticos impedem a mídia de reportar a verdade.

Essas coisas ficaram comigo. O Wikileaks foi criado em torno desses valores centrais. A ideia concebida na Austrália era usar as tecnologias da internet de maneira a reportar a verdade. O Wikileaks cunhou um novo tipo de jornalismo: o jornalismo científico. Nós trabalhamos com outros suportes de mídia para trazer as notícias para as pessoas, mas também para provar que essas notícias são verdadeiras. O jornalismo científico permite que você leia as notícias, e então clique num link para ver o documento original no qual a notícia foi baseada. Desta maneira você mesmo pode julgar: Esta notícia é verdadeira? Os jornalistas a reportaram de maneira precisa?

Sociedades democráticas precisam de uma mídia forte e o Wikileaks faz parte dessa mídia. A mídia ajuda a manter um governo honesto. Wikileaks revelou algumas duras verdades sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão, e notícias defeituosas (‘broken stories’) sobre corrupção corporativa.

As pessoas afirmaram que sou anti-guerra: que fique registrado, eu não sou. Algumas vezes, nações precisam ir à guerra, e simplesmente há guerras. Mas não há nada mais errado do que um governo mentir à sua população sobre estas guerras, e então pedir a estes mesmos cidadãos que coloquem suas vidas e o dinheiro de seus impostos a serviço destas mentiras. Se uma guerra é justificável, então diga a verdade e a população dirá se deve apoiá-la ou não.

Se você leu qualquer um dos relatórios de guerra sobre o Afeganistão e o Iraque, qualquer um dos telegramas das embaixadas estadunidense ou qualquer uma das notícias sobre as coisas que o Wikileaks tem reportado, considere quão importante é que toda a mídia possa reportar tais fatos livremente.

O Wikileaks não é o único que publicou os telegramas das embaixadas dos Estados Unidos. Outros suportes de mídia, incluindo o britânico The Guardian, o The New York Times, o El País e o Der Spiegel na Alemanha publicaram os mesmos telegramas. Porém é o Wikileaks como coordenador destes outros grupos, que tem sido alvo dos mais virulentos ataques e acusações por parte do governo estadunidense e seus acólitos. Eu tenho sido acusado de traição, mesmo sendo cidadão australiano e não estadunidense. Tem havido inúmeros sérios clamores nos EUA para que eu seja capturado por forças especiais estadunidenses. Sarah Palin diz que eu deveria ser “caçado como Osama Bin Laden”. Uma lei republicana tramita no senado norte-americano buscando declarar-me uma “ameaça transnacional” e tratar-me correspondentemente. Um assessor do gabinete do primeiro-ministro canadense clamou em rede nacional de televisão que eu fosse assassinado. Um blogueiro americano clamou para que o meu filho de 20 anos de idade aqui na Austrália fosse sequestrado e ferido por nenhum outro motivo além de um meio de chegar até mim.

E os australianos devem observar sem orgulho a desgraçada anuência a estes sentimentos por parte da Primeira ministra australiana Guillard e a secretária do Estado dos EUA Hillary Clinton, as quais não emitiram sequer uma palavra de crítica às demais organizações midiáticas. Isto por que o The Guardian, The New York Times e Der Spiegel são velhos e grandes, enquanto o Wikileaks é ainda jovem e pequeno.

Nós somos os vira-latas. O governo Guillard está tentanto atirar no mensageiro porque não quer que a verdade seja revelada, incluindo informações sobre as suas próprias negociações diplomáticas e políticas.

Houve alguma resposta por parte do governo australiano às inúmeras ameaças públicas de violência contra mim e outros colaboradores do Wikileaks? Não me parece absurdo supor que a primeira ministra australiana deveria estar defendendo os seus cidadãos de ações dessa natureza, porém, de sua parte, tem havido apenas alegações infundadas de ilegalidade. A Primeira ministra e especialmente o Procurador-Geral deveriam levar a cabo suas obrigações com dignidade e acima das disputas. Que fique claro que esses dois pretendem salvar a própria pele. Eles não conseguirão.

Toda vez que o Wikileaks publica a verdade sobre abusos cometidos pelas agências dos EUA, políticos australianos entoam o coro provavelmente falso com o Departamento de Estado: “Você colocará vidas em risco! Segurança nacional! Você colocará em perigo as nossas tropas!” E então eles dizem que não há nada de importante no que o Wikileaks publica.

Mas as nossas publicações estão longe de serem desimportantes. Os telegramas diplomáticos dos EUA revelam alguns fatos inquietantes:

Os EUA pediram a sua diplomacia para que roubassem material humano (“personal human material”) e informações de oficiais da ONU e grupos de direitos humanos, incluindo DNA, impressões digital, scans de íris, números de cartão de crédito, senhas da internet e fotos de identificação, em violação a tratados internacionais. É provável que diplomatas australianos da ONU também sejam alvos.

O Rei Abdullah da Arabia Saudita pediu aos oficiais dos EUA na Jordânia e Bahrein que interrompam o programa nuclear iraniano a qualquer custo.

A investigação britânica sobre o Iraque foi adulterada para proteger “interesses dos EUA”

A Suécia é um membro secreto da OTAN e a Inteligência dos EUA não divulga suas informações ao parlamento.

Os EUA está forçando a barra para tentar fazer com que outros países recebam detentos libertados de Guantanamo. Barack Obama concordou em encontrar o presidente esloveno apenas se a Eslovênia recebesse um prisioneiro. Nosso vizinho do Pacífico, Kiribati, foi oferecido milhões de dólares para receber detentos.

Em sua decisão histórica no caso dos Documentos do Pentágono, a Suprema Corte Americana disse: “ apenas uma impresa livre e sem amarras pode eficientemente expor fraudes no governo”. A tempestade turbulenta em torno do Wikileaks hoje reforça a necessidade de defender o direito de toda a mídia de revelar a verdade.

Julian Assange é o editor-chefe do Wikileaks

http://blogs.theaustralian.news.com.au/mediadiary/index.php

UPDATE:
Por grandiosa justiça poética, tá na hora de votar em Julian Assange como Person of the Year 2010 na revista TIME.