Archive for the Vida Digital Category

Zoológicos para o prazer marketeiro, e essa tal economia da atenção

Posted in privacidade e liberdade, Vida Digital with tags , , , , , , , , , on outubro 25, 2011 by Daniel Duende

Muito se fala sobre a Economia da Atenção como “A Economia do Futuro” (leia-se, a Economia que é mais cool para aqueles entre nós que já saíram do século XX e tem garantidos casa, comida, lazer e gadgets). Não surpreendentemente, é justamente a nossa atenção um dos grandes alvos atuais dos ataques daqueles que — como eu disse, não surpreendentemente — também integram o topo da pirâmide de haveres daquela velha Economia que falava de dinheiro e propriedades. Para além de um mundo onde 1% acumulam aquilo que tornou-se artificialmente escasso para os outros 99%, vivemos também um momento em que — apesar da difusão de olhares e falantes promovida pela revolução digital — cada vez mais se tenta aprisionar a sua atenção. Mais do que isso, é também um mundo onde depois de descobrirmos que podemos ter voz, temos agora que defendê-la constantemente de tentativas (por parte dos novos e velhos ocupantes do topo da pirâmide) para silenciar-nos ou, pior ainda, aprisionar-nos dentro de um silo onde só falamos com outros prisioneiros.

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A falácia do Nerd Quintessencial e outras generalizações igualmente burras

Posted in Nosso Mundo, Vida Digital with tags , , , , on setembro 27, 2011 by Daniel Duende

Hoje, lendo sem muito interesse mais um daqueles posts do tipo “10 motivos para casar/namorar/dar para/amar um nerd” me percebi muito incomodado com a crescente esquizofrenia do estereótipo de nerd que está sendo apropriado pelo hype da internéta. Posto que em 33 anos não encontrei uma só pessoa que não concordasse com a afirmação simples de que eu sou um nerd, e posto que não me vejo em quase nada representado pelo estereótipo de nerd que fazem por aí (e aproveitando que estou querendo voltar a escrever aqui, claro!), achei que valia a pena fazer um rápido disclaimer sobre as fantasias que andam difundindo a respeito de nós… err… dos nerds.

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Os milhões da cultura de Donana Amsterdam são pra quem pode, não pra quem quer (ou “governo é pra quem tem poder”)

Posted in Brasil, Bridgebloggando eu mesmo, Nosso Mundo, Vida Digital with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on março 16, 2011 by Daniel Duende

Disclaimer: Eu não ia blogar a respeito, porque tenho me abstido (ê palavra estranha) de meter minha feérica colher na deprimente política brasileira da qual não espero mais nada. Mas como muitas pessoas queridas vem insistindo para que eu fale sobre o assunto, registro aqui meu desabafo, pouco mais do que um copia e cola de comentários que fiz aqui e ali sobre o tema.

Estão todos falando (e sacaneando) do tal blogue que não é blogue da Maria Bethania — aquele com 365 vídeos de Andrucha Waddington e que vai custar um milhão e trezentos mil reais. E a soma parece mesmo impressionante para a realização de um blog (embora tenha órgão do governo que é acostumado a pagar absurdos por coisas simplórias na internet), mas segundo dizem alguns é até razoável quando se trata de um projeto que envolve 365 vídeos de um minuto realizados por profissionais que costumam cobrar caro. O milhão é para os vídeos, e não para o blogue em si. Tá entendido assim? Parece que sim. Mas o buraco é muito mais embaixo.

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A GVT me surpreendeu com excelente atendimento

Posted in Brasília, Nosso Mundo, Vida Digital with tags , , , , , on fevereiro 15, 2011 by Daniel Duende

Fiquei supreso, muito positivamente surpreso, com o atendimento que recebi da GVT ainda agora quando fui reclamar a respeito da instabilidade de minha conexão de banda-larga. Não só o atendente foi extremamente simpático e atencioso,  se prontificando imediatamente a enviar um técnico para verificar a irregularidade — que segundo ele pode ter sido causada pelas chuvas que teriam danificado a antena do prédio — como detectou que minha velocidade de download estava fora das especificações… e iniciou o conserto na mesma hora.

Minha taxa de download que nos últimos dias não passava de 400kbps voltou a bater nos honrosos 8.90mbps (segundo o speedtest.net), embora a instabilidade da rede ainda esteja fazendo com que ela fique abaixo disso.

Quando o tecnico da GVT passar por aqui para verificar o problema, faço um update. Se ao final do atendimento deles eu REALMENTE chegar a ter a velocidade pela qual estou pagando (o serviço contratado é de 10mbps), vai ser uma das melhores surpresas (ao menos na área de serviços prestados) deste ano.

P.S. Pra você ver como é o Brasil. Quando a gente é BEM ATENDIDO por uma empresa, a supresa é tanta que até motiva um post em nosso blog pessoal. Mas seguindo a idéia de estimular (e reconhecer) o que é bom, faço o post de elogio a GVT sem vergonha alguma. E faço votos de que eles consigam realmente corrigir o problema da minha conexão. Ao menos até agora, atenção, eficiência e simpatia não faltaram a eles neste atendimento.

De volta ao Global Voices em Português

Posted in Global Voices, Vida Digital with tags , , , , , , , on janeiro 31, 2011 by Daniel Duende

Depois de aventuras e desventuras, algumas inenarráveis sob risco de arranjar mais inimigos do que gostaria, estou finalmente de volta ao velho lar — a equipe colaborativa de voluntários de tradução do observatório de blogosferas Global Voices em Português.

Ainda não deu para traduzir muita coisa. Hoje só consegui traduzir uma matéria porque fiquei ocupado organizando e tomando conta da página de cobertura especial dos Protestos no Egito, que precisava de um pouco de amor.

E por falar e amor, fiquei emocionado com a quantidade (e qualidade) das boas vindas que recebi de velhos amigos e colegas de equipe de todo o mundo nas listas internas de discussão do GV. Vocês são ótimos! Estava morrendo de saudades de trampar lado a lado com vocês! Valeu mesmo pelas boas vindas!

MegaNão com (inesperada) presença de Bruce Sterling e Jasmina Tesanovic no Balaio Café

Posted in Brasília, Nosso Mundo, privacidade e liberdade, Vida Digital with tags , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 16, 2010 by Daniel Duende

Só para não deixar passar em branco o evento realizado ontem no Balaio Café, que contou com as ilustres presenças do escritor/pensador cyberpunk norte-americano Bruce Sterling e sua esposa, a escritora, feminista e cineasta sérvia Jasmina Tesanovic.

Todo evento voltado à discussão da liberdade da (e na) Internet é bem vindo nestes tempos de perseguição jihádica ao Wikileaks e eterno risco de renascimento da hidra lerneana da Lei Azeredo (refortalecida por outro monstro digno da atenção de Spectreman, a Convenção de Budapeste). E foi nesta linha que seguiram as falas da maior parte dos participantes, como Caribé e Paulo Rená: o da necessidade da vigilância e combate aos riscos representados pelas novas iterações (é a 4ª vez que uso esta palavra hoje, eu sei!) do mal escrito e reescrito projeto de lei que visa criminalizar não apenas os usos comuns e razoáveis da rede feitos por milhões de brasileiros, como também atender à demanda (e mostrar trabalho em troca da grana recebida) de bancos como o Bradesco, que busca reptilicamente economizar o dinheiro que precisaria investir em uma melhor segurança para seus clientes de home-banking, jogando o ônus no governo e na sociedade (inclusive seus clientes, que salvo notáveis excessões não parecem se importar com isso).

Yasodara Córdova aproveitou os primeiros 25 segundos de sua fala para lembrar que as mulheres em geral tem um grande poder em mãos, o de público consumidor poderoso, e que deveriam lembrar-se disso em seus ativismos — inclusive no ativismo contra a Lei Azeredo e outras ameaças às pessoas digitais. Depois disso, Yasodara passou o bastão de voz que convencionamos chamar microfone para Guilherme Almeida (e a hora avançada pode me sujeitar a errar nomes!), do MJ, que fez uma apresentação sobre a Consulta Pública que está sendo realizada pelo Ministério da Justiça visando a construção de uma nova legislação de proteção aos Dados Pessoais no Brasil. Aos ativistas, fica a dica. Mais fácil (embora talvez menos divertido e festivo) do que qualquer manifestação ou flash mob é aproveitar as consultas públicas realizadas pelo governo sobre temas que são parte da agenda e das noites mal dormidas de muitos de nós. Acesse o site da Consulta Pública sobre Dados Pessoais.

Mas havia bem vindas vozes dissonantes. Ariel Foina defendeu que para além da hidra lerneana da Lei Azeredo (“é apenas mais uma batalha em uma guerra muito maior”, segundo ele), existem as ameaças à nossa privacidade e liberdade na rede que são causadas por nossos próprios hábitos, ou falta deles, como o hábito que não temos de ler os contratos digitais que assinamos (mesmo sem nos dar conta) quando começamos a utilizar um serviço. Os próprios termos de uso do Google são um bom exemplo disso. Segundo apresentado com necessária teatralidade por Ariel durante sua fala, estes termos de uso apresentam em seu parágrafo décimo-primeiro, que trata sobre a privacidade dos conteúdos de seus usuários:

O usuário compreende e concorda que o Google pode acessar, registrar e divulgar as suas informações pessoais e o conteúdo da sua conta, a fim de fornecer o Serviço ou caso solicitado por força da lei ou quando acreditemos de boa fé(1) que tal acesso, registro ou divulgação é realmente necessário para atender a um processo legal ou para proteger os direitos, a propriedade e/ou a segurança do Google, de seus afiliados ou do público geral(!?!?)

Ariel frisou, com todos os negritos acima, que é antes de mais nada absurdo que uma empresa sustente (e você assine embaixo) que terá boa fé(1) em sua decisão a respeito da divulgação do conteúdo da sua conta ou dados pessoais. “Ora, empresas não tem boa fé ou opinião. Visam lucro ou seus interesses e é absurdo que falem (e você assine e baixo) de boa fé em seus termos de uso”, bradava Ariel. Mais absurda ainda é a segunda parte, que condiciona a quebra da sua privacidade à “proteção dos direitos, propriedade e/ou segurança do Google, seus afiliados ou do público em geral(!?!?)”. Então quer dizer que o Google se reserva o direito de divulgar qualquer um dos conteúdos ou dados que você confiar a ele se ele acreditar DE BOA FÉ que estes dados ameaçam os DIREITOS (que direitos!?), SEGURANÇA ou PROPRIEDADE do PÚBLICO GERAL!? E quer dizer que não só você e eu, mas também muitos dos ativistas anti-Lei Azeredo e uma boa parte do Governo Federal (além dos Estaduais e Municipais) está assinando mesmo sem ler embaixo disso? Já paramos para pensar que por Público Geral (ou mesmo por “afiliados”) o Google pode entender o povo Norte-Americano (e seu governo), ou alguma empresa competidora da sua, e que pode então de boa fé divulgar seus dados e todos os seus emails a eles? Com ameaças como nós mesmos à nossa privacidade, quem precisa de Lei Azeredo?

Mas nem tudo são espinhos na guerra contra os inimigos da liberdade da rede, de nossa privacidade, e contra nossa própria mania de assinar contratos digitais sem pensar duas vezes nem lê-los uma vez sequer. As presenças de Bruce Sterling e Jasmina Tesanovic não apenas representaram uma excelente chance de intercâmbio entre os ativistas da liberdade na rede do Brasil e do exterior (lembrando que Sterling foi autor do memorável livro The Hacker Crackdown: Law and Disorder in the Electronic Frontier, disponível aqui, que trata dos ataques do governo Norte-Americano à subcultura hacker e à liberdade da rede no início dos anos 90), mas também uma interessande oportunidade de se ouvir alguns questionamentos que — por acreditarmos já ter uma resposta pronta, não nos dignamos a fazer. Em certo momento do debate, Bruce Sterling pediu o microfone e perguntou aos presentes (com a ajuda de minha capenga tradução quase simultânea):

“O Presidente Lula disse em certo momento que após o final de seu governo irá descansar por uns quatro meses e depois se tornará blogueiro e tuiteiro. Antes de mais nada, ele realmente quis dizer isso [did he really mean it]? Além disso, quais serviços, suportes e provedores ele pretende usar, e quais serão os temas que abordará, e quais suas intenções?”

Sterling ouviu dos presentes apenas a resposta de que a fala do presidente se prestava a reconhecer a importância da blogosfera. Eu, que estava sentado logo ao lado dele, pude ver a sua frustração. Mesmo sendo Norte-Americano e estando acostumado a ouvir mentiras e frases vazias de seus presidentes, Sterling parecia esperar mais de Lula. Bem, entre outras coisas este post é uma boa oportunidade para que outras pessoas respondam à pergunta de Sterling. Prometo repassar as respostas para Bruce, fielmente traduzidas para o inglês por este ex-coordenador do Global Voices em Português que vos escreve. Prometo também publicar aqui os comentários de Bruce sobre as respostas, caso ele faça algum.

(da esquerda para a direita) Jasmina Tesanovic, Daniel Duende, Bruce Sterling, Paulo Rená e Yasodara Córdova no MegaNão do Balaio Café, com Daniel Duende tentando fazer as vezes de tradutor quase simultâneo. Foto de @cesarcardoso

Bruce Sterling escreve o blog Beyond the Beyond na revista Wired, e Jasmina Tasanovic escreve o blog Virtual Vita Nuova, hospedado no WordPress.

 

P.S. você também acha que este post deveria ter mais fotos? Então ajude o Duende que estava morrendo de sono ao terminar de escrevê-lo às quatro e meia da manhã e dê umas dicas de boas fotos do evento disponíveis na rede.

 

UPDATE:
Em tempo, o evento também me deu a oportunidade de descobrir que o inglês com sotaque sérvio é menos incompreensível para ouvidos brasileiros do que o inglês com sotaque texano. Deu também pra verificar que mesmo o sotaque texano não é páreo para a necessidade deste que vos escreve de se construir pontes de comunicação entre as pessoas que tem algo a dizer.

 

Devo, não nego… (iteração x)

Posted in privacidade e liberdade, Vida Digital with tags , , on dezembro 15, 2010 by Daniel Duende

Devo, não nego, escrevo quando puder um post sobre o evento do Meganão ontem no Balaio Café, que teve a participação extraordinária de Jasmina Tesanovic e Bruce Sterling.

Por hora fica a minha anotação mental. “Quando necessário, até peixinhos dourados podem fazer tradução simultânea. A necessidade é a mãe da realização”. =)