Arquivo para Gil Vicente

Também morre quem atira

Posted in Nosso Mundo with tags , on setembro 28, 2010 by Daniel Duende

remistura em cima da obra Gil Vicente mata Bento XVI

Tiro no pé. Tiro que sai pela culatra. Tiro pra cima…

Não é pra se safar que você atira. É para que o alvo caia antes de você. Uma coisa que escapa da percepção de todos os individualistas com suas assépticas visões de mundo é que o artista não expõe sua obra para se salvar, mas sim para impedir que ela também se perca. Por mais que você discorde da obra de Gil Vicente, ela já fez o seu papel. Podem atirá-la às chamas agora, se quiserem. Não vai mais adiantar. Agora é tarde, a pretensa inocência já está perdida, e você já teve que entrar em contato com o que sente ao ver Gil Vicente aportando armas e facas contra pessoas. A visão do artista já atingiu seu olhar. Ponto pra ele.

Sabe o que é menos impressionante nessa história? Ninguém morreu… nem mesmo Romeu Tuma.

Como não adorar Gil Vicente?

Posted in Nosso Mundo with tags , , , , , on setembro 18, 2010 by Daniel Duende

Gil Vicente é um artista plástico pernambucano cuja obra é marcada pela acidez e contundente sinceridade. E esta não é apenas uma frase de efeito para abrir um post.

Auto-Retrato matando Ariel Sharon, Gil Vicente, 2005, carvão sobre papel 200x150 cm

Auto-retrato matando Bento XVI, Gil Vicente, 2005, carvão sobre papel 150x200 cm

Mas pelo visto a OAB-SP não acredita que um artista tenha o direito de expressar, em sua arte, o seu sentimento em relação a algumas figuras públicas cuja trajetória ele deplora. Coisas de advogados, que enxergam o que querem naquilo que veem. Acusam o artista, e a curadoria da Bienal que se recusa a censurar as obras, de apologia ao crime. Esquecem-se contudo, que assim como a mãe do juiz que não é uma puta por mais que os torcedores enfezados assim a alcunhem, a toda figura pública é dada mais de um corpo.

Para além de seu corpo físico, que vive e respira, aquele que é o humano, há um corpo que habita o imaginário da sociedade onde atua aquela figura pública. No quadro onde Gil Vicente se auto-retrata prestes a matar Fernando Henrique Cardoso, o autor expressa desejo de aniquilar aquele corpo público associado às asneiras políticas e crimes éticos cometidos pelo ex-presidente, e não o desejo de cometer assassinato contra o pai, avô, pessoa humana Fernando Henrique Cardoso.

Auto-retrato matando Fernando Henrique Cardoso, Gil Vicente, 2005, carvão sobre papel 200x150 cm

Falta, para variar, sutileza e compreensão da arte ao olhar dos advogados da OAB-SP.

É uma afirmação tão óbvia quanto dizer que porcos não voam.

UPDATE:
A pedidos…

Auto-retrato matando Lula 2005 carvão sobre papel 200x150 cm

Auto-retrato matando Lula, 2005, carvão sobre papel 200x150 cm

Posso ouvir o fapfapfap de demotucanos se masturbando agora.