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Zoológicos para o prazer marketeiro, e essa tal economia da atenção

Posted in privacidade e liberdade, Vida Digital with tags , , , , , , , , , on outubro 25, 2011 by Daniel Duende

Muito se fala sobre a Economia da Atenção como “A Economia do Futuro” (leia-se, a Economia que é mais cool para aqueles entre nós que já saíram do século XX e tem garantidos casa, comida, lazer e gadgets). Não surpreendentemente, é justamente a nossa atenção um dos grandes alvos atuais dos ataques daqueles que — como eu disse, não surpreendentemente — também integram o topo da pirâmide de haveres daquela velha Economia que falava de dinheiro e propriedades. Para além de um mundo onde 1% acumulam aquilo que tornou-se artificialmente escasso para os outros 99%, vivemos também um momento em que — apesar da difusão de olhares e falantes promovida pela revolução digital — cada vez mais se tenta aprisionar a sua atenção. Mais do que isso, é também um mundo onde depois de descobrirmos que podemos ter voz, temos agora que defendê-la constantemente de tentativas (por parte dos novos e velhos ocupantes do topo da pirâmide) para silenciar-nos ou, pior ainda, aprisionar-nos dentro de um silo onde só falamos com outros prisioneiros.

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A GVT me surpreendeu com excelente atendimento

Posted in Brasília, Nosso Mundo, Vida Digital with tags , , , , , on fevereiro 15, 2011 by Daniel Duende

Fiquei supreso, muito positivamente surpreso, com o atendimento que recebi da GVT ainda agora quando fui reclamar a respeito da instabilidade de minha conexão de banda-larga. Não só o atendente foi extremamente simpático e atencioso,  se prontificando imediatamente a enviar um técnico para verificar a irregularidade — que segundo ele pode ter sido causada pelas chuvas que teriam danificado a antena do prédio — como detectou que minha velocidade de download estava fora das especificações… e iniciou o conserto na mesma hora.

Minha taxa de download que nos últimos dias não passava de 400kbps voltou a bater nos honrosos 8.90mbps (segundo o speedtest.net), embora a instabilidade da rede ainda esteja fazendo com que ela fique abaixo disso.

Quando o tecnico da GVT passar por aqui para verificar o problema, faço um update. Se ao final do atendimento deles eu REALMENTE chegar a ter a velocidade pela qual estou pagando (o serviço contratado é de 10mbps), vai ser uma das melhores surpresas (ao menos na área de serviços prestados) deste ano.

P.S. Pra você ver como é o Brasil. Quando a gente é BEM ATENDIDO por uma empresa, a supresa é tanta que até motiva um post em nosso blog pessoal. Mas seguindo a idéia de estimular (e reconhecer) o que é bom, faço o post de elogio a GVT sem vergonha alguma. E faço votos de que eles consigam realmente corrigir o problema da minha conexão. Ao menos até agora, atenção, eficiência e simpatia não faltaram a eles neste atendimento.

Texto de Julian Assange, do Wikileaks, escrito horas antes de sua prisão

Posted in Nosso Mundo, Vida Digital with tags , , , , , , , , , on dezembro 7, 2010 by Daniel Duende

Durante toda a movimentação (e a bem vinda balbúrdia) causada pela publicação de correspondências diplomáticas norte-americanas pelo Wikileaks, mantive-me em silêncio por aqui. Nada mais disse, porque o que tinha a dizer já estava sendo dito via facebook ou via twitter. O Twitter, inclusive, que achou por bem ceder às pressões do maior estado terrorista do mundo e censurar o Wikileaks em seus trending topics (como dizem que também censurou hashtags da campanha da Dilma durante as eleições brasileiras). O Twitter que deixei para não mais voltar, e microblogo agora via Identi.ca.

Mas agora acho importante republicar o texto escrito por Julian Assange, fundador do Wikileaks, pouco antes de se entregar às autoridades na manhã desta terça-feira em Londres, depois de ser perseguido como um terrorista sob acusações falsas que apenas pretendiam encobrir seu único crime: querer revelar a todos a verdade que os nauseabundos governos do planeta querem esconder.

Este é o nosso mundo. Leiam o texto de Assange, conforme publicado por Luis Nassif em seu blogue.

Em 1958 um jovem Rupert Murdoch, então proprietário e editor do “The News” de Adelaide(Austrália), escreveu: “Na corrida entre o segredo e a verdade, parece inevitável que a verdade sempre vença.”

Sua observação talvez tenha sido um reflexo da revelação de seu pai, Keith Murdoch, sobre o sacrifício desnecessário de tropas australianas nas costas de Gallipoli, por parte de comandantes britânicos incompetentes. Os britânicos tentaram calá-lo, mas Keith Murdoch não seria silenciado e seus esforços levaram ao termino da desastrosa campanha de Gallipoli.

Quase um século depois, o Wikileaks também publica sem medo fatos que precisam ser tornados públicos.

Eu cresci numa cidade do interior do estado de Queensland, onde as pessoas falavam de maneira curta e grossa aquilo que pensavam. Eles desconfiavam do governo (‘big government’) como algo que poderia ser corrompido caso não fosse vigiados cuidadosamente. Os dias sombrios de corrupção no governo de Queensland, que antecederam a investigação Fitzgerald, são testemunhos do que acontece quando políticos impedem a mídia de reportar a verdade.

Essas coisas ficaram comigo. O Wikileaks foi criado em torno desses valores centrais. A ideia concebida na Austrália era usar as tecnologias da internet de maneira a reportar a verdade. O Wikileaks cunhou um novo tipo de jornalismo: o jornalismo científico. Nós trabalhamos com outros suportes de mídia para trazer as notícias para as pessoas, mas também para provar que essas notícias são verdadeiras. O jornalismo científico permite que você leia as notícias, e então clique num link para ver o documento original no qual a notícia foi baseada. Desta maneira você mesmo pode julgar: Esta notícia é verdadeira? Os jornalistas a reportaram de maneira precisa?

Sociedades democráticas precisam de uma mídia forte e o Wikileaks faz parte dessa mídia. A mídia ajuda a manter um governo honesto. Wikileaks revelou algumas duras verdades sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão, e notícias defeituosas (‘broken stories’) sobre corrupção corporativa.

As pessoas afirmaram que sou anti-guerra: que fique registrado, eu não sou. Algumas vezes, nações precisam ir à guerra, e simplesmente há guerras. Mas não há nada mais errado do que um governo mentir à sua população sobre estas guerras, e então pedir a estes mesmos cidadãos que coloquem suas vidas e o dinheiro de seus impostos a serviço destas mentiras. Se uma guerra é justificável, então diga a verdade e a população dirá se deve apoiá-la ou não.

Se você leu qualquer um dos relatórios de guerra sobre o Afeganistão e o Iraque, qualquer um dos telegramas das embaixadas estadunidense ou qualquer uma das notícias sobre as coisas que o Wikileaks tem reportado, considere quão importante é que toda a mídia possa reportar tais fatos livremente.

O Wikileaks não é o único que publicou os telegramas das embaixadas dos Estados Unidos. Outros suportes de mídia, incluindo o britânico The Guardian, o The New York Times, o El País e o Der Spiegel na Alemanha publicaram os mesmos telegramas. Porém é o Wikileaks como coordenador destes outros grupos, que tem sido alvo dos mais virulentos ataques e acusações por parte do governo estadunidense e seus acólitos. Eu tenho sido acusado de traição, mesmo sendo cidadão australiano e não estadunidense. Tem havido inúmeros sérios clamores nos EUA para que eu seja capturado por forças especiais estadunidenses. Sarah Palin diz que eu deveria ser “caçado como Osama Bin Laden”. Uma lei republicana tramita no senado norte-americano buscando declarar-me uma “ameaça transnacional” e tratar-me correspondentemente. Um assessor do gabinete do primeiro-ministro canadense clamou em rede nacional de televisão que eu fosse assassinado. Um blogueiro americano clamou para que o meu filho de 20 anos de idade aqui na Austrália fosse sequestrado e ferido por nenhum outro motivo além de um meio de chegar até mim.

E os australianos devem observar sem orgulho a desgraçada anuência a estes sentimentos por parte da Primeira ministra australiana Guillard e a secretária do Estado dos EUA Hillary Clinton, as quais não emitiram sequer uma palavra de crítica às demais organizações midiáticas. Isto por que o The Guardian, The New York Times e Der Spiegel são velhos e grandes, enquanto o Wikileaks é ainda jovem e pequeno.

Nós somos os vira-latas. O governo Guillard está tentanto atirar no mensageiro porque não quer que a verdade seja revelada, incluindo informações sobre as suas próprias negociações diplomáticas e políticas.

Houve alguma resposta por parte do governo australiano às inúmeras ameaças públicas de violência contra mim e outros colaboradores do Wikileaks? Não me parece absurdo supor que a primeira ministra australiana deveria estar defendendo os seus cidadãos de ações dessa natureza, porém, de sua parte, tem havido apenas alegações infundadas de ilegalidade. A Primeira ministra e especialmente o Procurador-Geral deveriam levar a cabo suas obrigações com dignidade e acima das disputas. Que fique claro que esses dois pretendem salvar a própria pele. Eles não conseguirão.

Toda vez que o Wikileaks publica a verdade sobre abusos cometidos pelas agências dos EUA, políticos australianos entoam o coro provavelmente falso com o Departamento de Estado: “Você colocará vidas em risco! Segurança nacional! Você colocará em perigo as nossas tropas!” E então eles dizem que não há nada de importante no que o Wikileaks publica.

Mas as nossas publicações estão longe de serem desimportantes. Os telegramas diplomáticos dos EUA revelam alguns fatos inquietantes:

Os EUA pediram a sua diplomacia para que roubassem material humano (“personal human material”) e informações de oficiais da ONU e grupos de direitos humanos, incluindo DNA, impressões digital, scans de íris, números de cartão de crédito, senhas da internet e fotos de identificação, em violação a tratados internacionais. É provável que diplomatas australianos da ONU também sejam alvos.

O Rei Abdullah da Arabia Saudita pediu aos oficiais dos EUA na Jordânia e Bahrein que interrompam o programa nuclear iraniano a qualquer custo.

A investigação britânica sobre o Iraque foi adulterada para proteger “interesses dos EUA”

A Suécia é um membro secreto da OTAN e a Inteligência dos EUA não divulga suas informações ao parlamento.

Os EUA está forçando a barra para tentar fazer com que outros países recebam detentos libertados de Guantanamo. Barack Obama concordou em encontrar o presidente esloveno apenas se a Eslovênia recebesse um prisioneiro. Nosso vizinho do Pacífico, Kiribati, foi oferecido milhões de dólares para receber detentos.

Em sua decisão histórica no caso dos Documentos do Pentágono, a Suprema Corte Americana disse: “ apenas uma impresa livre e sem amarras pode eficientemente expor fraudes no governo”. A tempestade turbulenta em torno do Wikileaks hoje reforça a necessidade de defender o direito de toda a mídia de revelar a verdade.

Julian Assange é o editor-chefe do Wikileaks

http://blogs.theaustralian.news.com.au/mediadiary/index.php

UPDATE:
Por grandiosa justiça poética, tá na hora de votar em Julian Assange como Person of the Year 2010 na revista TIME.